Febre Amarela

Febre Amarela

 

O vírus da febre amarela é transmitido por mosquitos e é encontrado em áreas tropicais da África e América do Sul.

Ele recebeu este nome porque além da febre, nas formas graves os pacientes podem evoluir com insuficiência hepática e adquirir a coloração amarelada na pele e nas mucosas.

Tanto os homens como os macacos podem ser infectados pelo vírus. Nas florestas algumas espécies de mosquito transmitem o vírus ao macaco e eventualmente ao homem que entra na mata. Esta forma de transmissão é chamada de febre amarela silvestre.

Entretanto espécies urbanas de mosquitos como o Aedes Aegypti podem transmitir a doença entre humanos, ocasionando casos de febre amarela urbana.

 

Situação Atual

A febre amarela urbana estava erradicada no Brasil desde 1942, no entanto casos de febre amarela silvestre são registrados periodicamente em regiões de mata, sobretudo nas regiões norte e centro-oeste do Brasil, chegando a 100 casos por ano.

Desde o final de 2016 observou-se um surto da doença no Centro Oeste e Sudeste Brasileiro.

Entre dezembro de 2016 e junho de 2017 foram confirmados 777 casos e 261 óbitos por febre amarela, o que representou a maior transmissão da doença das últimas décadas. A Região Sudeste concentrou a grande maioria das notificações, com 764 casos confirmados, seguida das regiões Norte (dez casos confirmados) e Centro-Oeste (três casos).

Atualmente todos os casos registrados foram de transmissão silvestre, ou seja, havia proximidade de áreas de mata e registro de primatas mortos no local, configurando transmissão silvestre.

O surto atual vem sendo atribuído a uma queda da cobertura vacinal em áreas de risco, associadas a mudanças ecológicas que aumentaram a proliferação de mosquitos.

 

Sintomas

  • A maioria das pessoas infectadas fica assintomática ou apresenta somente uma doença branda
  • Nas pessoas que desenvolvem doença, o tempo de incubação é de 3-6 dias após a picada
  • Os sintomas iniciais incluem febre alta, calafrios, dor de cabeça, dor nas costas e nos músculos, náusea, vômito e fraqueza.
  • A doença pode ter uma apresentação bifásica, em que o paciente melhora e depois de 2-3 dias os sintomas retornam.

 

Em caso de febre alta, dor no corpo e prostração o paciente deve procurar atendimento médico imediatamente.

Uma pequena parcela dos pacientes pode evoluir para as formas graves com aparecimento da icterícia (amarelo nos olhos e na pele) e insuficiência hepática. Esta forma grave apresenta alta letalidade

 

Tratamento

 

  • O tratamento das formas graves é o suporte clínico, com hidratação, fatores de coagulação, e internação em CTI quando necessário.
  • Ainda não há recomendação de drogas antivirais, que estão em fase de testes e estudos pré-clínicos
  • Na presença de sintomas como febre alta e dor no corpo deve-se evitar medicações como anti-inflamatórios e aspirina que aumentam risco de sangramento

 

 

Prevenção

 

A melhor estratégia diante da febre amarela é a prevenção.

Evitar a picada do Mosquito

Evitar ir à áreas de risco, aonde há relato de primatas mortos ou casos conhecidos de febre amarela.

Uso de telas protetoras nas janelas e portas.

Sempre que possível manter o ar condicionado ligado em áreas de proliferação de mosquitos.

Uso de roupas protetoras e repelentes contendo DEET ou icaridina, repetindo a aplicação do repelente a cada 6 (DEET= Off) ou 12h (Icaridina= Exposis, Sunlau) ou mais frequente se suor excessivo ou banho.

 

Vacina

 

Durante este surto de febre amarela foram ampliadas as recomendações de imunização. O Ministério da Saúde Brasileiro adotou a dose fracionada (1/5 da dose plena), que confere uma imunidade temporária (de até 8 anos), visando aumentar a oferta de doses e ampliar a cobertura vacinal,

Os pacientes que receberem a dose fracionada deverão ser revacinados em 8 (oito) anos.

Quem recebeu a dose plena da vacina após os dois anos de idade não precisa se revacinar. Estudos indicam que a imunidade conferida pela vacina permanece ao longo da vida.

A dose fracionada está sendo fornecida nos Postos de Saúde do Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia, que registraram o maior número de casos neste início de ano.

A dose plena fica reservada à alguns casos especiais:

  • crianças de 9 meses a menores de dois anos;
  • pessoas com condições clínicas especiais (vivendo com HIV/Aids, ao final do tratamento de quimioterapia, pacientes com doenças hematológicas, entre outras),
  • gestantes
  • viajante internacional (devem apresentar comprovante de viagem no ato da vacinação).

Clínicas de vacinação privada podem oferecer a dose plena, que  é compatível com a emissão de certificado para viagem internacional e não precisa de reforço.

Se você nunca se vacinou para febre amarela e não apresenta contra-indicação, você deve se vacinar.

As contra-indicações a vacina da febre amarela são:

 

  • Crianças com 6 meses ou menos de idade: risco de encefalite viral => contra-indicação absoluta.

 

  • Pessoas com imunodeficiências graves
    • infecção pelo HIV com contagem de CD4< 250 céls/mm3
    • Tratamento imunossupressores em doses elevadas (incluindo corticoides em dose superior a 20mg/dia de prednisona), quimioterapia, radioterapia).
    • disfunção do timo (retirada cirúrgica ou doenças como miastenia gravis, síndrome de DiGeorge ou timoma).

 

  • Pessoas que tenham alergia (podem receber a vacina mas com preparo ou dessensibilização prévia)
    • ovos => a vacina é preparada em ovos de galinha embrionados.
    • eritromicina => antibiótico que faz parte da composição da vacina.
    • gelatina => faz parte da composição da vacina.
    • reação alérgica a dose prévia da vacina.

Idosos > 60 anos, portadores de outras doenças crônicas e pacientes gestantes devem ser avaliadas pelo seu médico para discutir os riscos x benefícios da vacina.

 

Efeitos colaterais graves

 

  • Reação alérgica grave (anafilática)
    • ocorre em aproximadamente 1 em cada 131.000 doses aplicadas.

 

  • Reações no sistema nervoso central (encefalite)
    • cerca de 1 caso para cada 150.000 – 250.000 doses.
  • Comprometimento de múltiplos órgãos com o vírus vacinal da febre amarela (Doença Viscerotrópica)
    • aproximadamente 1 caso para cada 200.000 – 300.000 doses.
    • acima de 60 anos cerca de 1 caso para cada 40.000 – 50.000 doses).
    • mais da metade dos indivíduos com febre amarela vacinal evoluem para o óbito.

 

As reações à vacina são raras. Mas reações alérgicas quando ocorrem tendem a ser imediatas e o posto tem equipamento e medicação para atender um caso de reacnao alérgica.

Se apresentar qualquer sintoma de febre alta, prostração ou alteração neurológica após a vacina você deve procurar atendimento imediatamente

 

LEMBRE-SE: A melhor estratégia diante da febre amarela é a prevenção.

 

https://agencia.fiocruz.br/febre-amarela-dose-fracionada-da-vacina-imuniza-por-oito-anos

https://www.cdc.gov/yellowfever/index.html