O Perigo das Drogas Sintéticas: Canabinóides, Anfetaminas e Ecstasy

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Ecstasy-02.jpg

Os abusos de substâncias ilícitas ou drogas psicoativas prescritas (como benzodiazepínicos e opióides) são um problema de saúde pública no mundo todo.

Angústias afetivas e financeiras e uma expectativa exacerbada em relação a si próprio talvez contribuam para uma procura cada vez maior por substâncias psicoativas em todas as faixas etárias.

Na população adulta e idosa o abuso de benzodiazepínicos e opióides já são bastante reconhecidos, com elevada taxa de dependência, associados ainda a maior risco de acidentes e de declínio cognitivo e demência precoce.

Nos jovens observa-se uma procura também maior por drogas psicoativas, sejam elas estimulantes ou relaxantes, sobretudo em ambientes de festa e socialização. Nestes ambientes o consumo crescente de drogas sintéticas ilícitas é o que mais preocupa.

Ainda que haja um movimento de legalização do cannabis sativa (maconha) em muitos países para alívio de dor e enjôo em doenças crônicas, isto não significa que não haja riscos e sequelas permanentes com seu uso crônico. O cannabis atua em receptores do sistema nervoso central e pode levar a alterações neuro-psiquiátricas a curto e longo prazo.

Além disto, sobretudo entre os jovens vem crescendo o uso de canabinóides sintéticos,  metanfetaminas e MDMA.

Vendidos como pequenas balinhas coloridas, sais de banho, incensos ou gomas de mascar, estas substâncias são atrativas e possuem efeitos potentes, com alto risco de dependência.

Canabinóides sintéticos são substâncias sintetizadas em laboratório, com diferentes composições e características, que atuam nos receptores canabinóides do sistema nervoso central.

Estas substâncias possuem potência muito mais elevada do que o cannabis sativa e podem ser consumidas de diversas maneiras, como vapores liberados por incensos, gomas de mascar, comprimidos, líquidos, tiras que se dispersam na boca ou cigarros.

A grande preocupação é que o risco de dependência química e de dano estrutural cerebral é maior do que com o cannabis sativa e o risco de intoxicações e lesões permanentes também. Ao contrário do cannabis sativa que ocupa no máximo 40% dos receptores canabinóides cerebrais, os sintéticos podem ocupar até 100% dos receptores, e podem levar a agitação, convulsão, psicose, coma ou alterações cardíacas.

Além dos danos estruturais cerebrais, há possibilidade de contaminação destes compostos por outras substâncias químicas levando a efeitos completamente inesperados e para os quais os médicos podem nem estar preparados.

De março até julho de 2018 nos Estados Unidos foram reportados 255 casos de coagulopatia adquirida (como se fosse uma hemofilia) e 8 óbitos relacionados a sangramento grave após consumo de um tipo de canabinóide sintético contaminado com um veneno para rato. Estes jovens intoxicados necessitarão de meses de um tratamento caro e alguns terão sequelas permanentes.

Nem sempre o médico que faz o atendimento reconhece uma intoxicação por canabinóide sintético porque não há muitas alterações nos sinais vitais e o teste toxicológico é negativo, dificultando o reconhecimento da intoxicação e contribuindo para uma evolução mais grave do quadro.

Os canabinóides sintéticos são oferecidos com diversos nomes “comerciais”, sendo os mais comuns no Brasil K2 e Spider.

Outra classe de substância muito consumida em bares, shows, boates e raves são as metanfetaminas e o MDMA.

As metanfetaminas são psicoestimulantes que interagem com neurotransmissores no cérebro aumentando a atividade adrenérgica cerebral. Isto leva a quadros de agitação e euforia e facilmente leva a intoxicação e dependência.

O MDMA (metilenodioximetanfetamina) é um derivado das metanfetaminas, porém ele tem uma estrutura química muito similar a serotonina, por isto seus efeitos no organismos simulam uma síndrome de intoxicação por serotonina. Imediatamente após o uso do MDMA (ecstasy) a pessoa experimenta uma euforia intensa, desinibição e aumento da libido. É uma droga consumida em boates e oferecida muitas vezes com o objetivo de alcançar um encontro sexual.

Existem diversas formulações e derivados do MDMA (MD, Sky, Molly ou Droga do Amor).

Eles são solúveis em água ou outras bebidas (risco de ingestão não intencional provocada por outro indivíduo) e podem ser oferecidos como “balinhas coloridas” ou tabletes.

Os sinais de intoxicação por MDMA são agitação, euforia, pupilas dilatadas, aumento de temperatura corporal, sede e bruxismo (dentes trincados). Pode levar a hemorragias, infarto, insuficiência renal, hepatites graves e ao óbito. Além disto está associado a encontros sexuais de risco, estupro e acidentes de um modo geral.

É importante conhecer os efeitos e os riscos destas substâncias antes de decidir experimentar.

Muitas vezes o uso de uma substância deste tipo ocorre facilitada pelo uso prévio de álcool e com o objetivo de desinibição social.

Há outras maneiras de alcançar estes laços sociais afetivos e sexuais sem o uso de substâncias que podem ter efeitos permanentes e até mesmo ser letais.

A descriminalização da maconha (cannabis sativaem muitos países, baseado em propriedades terapêuticas para pacientes com doenças graves pode ter contribuído para um menor grau de alerta em relação aos riscos do uso destas substâncias sobretudo por jovens com cérebro em desenvolvimento, em circunstâncias de risco e frequentemente associados a outras drogas.

Caso você faça uso ou já tenha feito uso de substâncias psicoativas converse com seu médico e busque alternativas seguras para tratar a ansiedade, a timidez ou a falta de libido.

E em casos de dependência existem formas de retirar a droga minimizando os sintomas de abstinência e o risco de recaída, mas é preciso pedir ajuda sempre.

Procure seu médico de confiança. Agende uma consulta e tire suas dúvidas.

https://en.wikipedia.org/wiki/File:Ecstasy_monogram.jpg