Exercício Físico na Cirrose

Exercício na Cirrose

 

O sedentarismo é um dos maiores preditores de desfecho negativo para doenças cardiovasculares, neoplásicas, pulmonares e também da cirrose.

 

Além do descondicionamento cardiovascular e muscular, o sedentarismo pode alterar sinalizações hormonais que contribuem para uma maior fragilidade do paciente.

 

Historicamente os médicos recomendavam repouso para os pacientes cirróticos, por um receio de piora do estado geral e de sangramento por varizes de esôfago.

 

Nos últimos anos entretanto, diversos estudos avaliaram o impacto e a segurança dos exercícios físicos em pacientes cirróticos, evidenciando melhora de capacidade aeróbica, ganho de massa muscular e redução de pressão no sistema porta.

 

Para liberar o paciente cirrótico para atividade física deve-se corrigir antes deficiências vitamínicas, anemia, e avaliar três aspectos principais de segurança:

 

  • Aspectos relacionados a cirrose
    • Paciente deve ser avaliado quanto a presença de hipertensão portal e caso alto risco de sangramento deve ser submetido à ligadura elástica profilática de varizes

 

  • Avaliação Cardiovascular
    • De acordo com fatores de risco cardiovascular: idade, tabagismo, presença de diabetes, hipertensão arterial, dislipidemia e/ou histórico familiar de doença cardiovascular

 

  • Adequação do Exercício sobre as outras comorbidades do paciente
    • Articulações
    • Capacidade Pulmonar
    • Controle de Anemia, etc

 

Realizada esta etapa inicial de avaliação de aptidão ao exercício, outras complicações da cirrose como ascite, edema de membros inferiores ou encefalopatia leve não contra-indicam o exercício, apenas indicam a necessidade de maior nível de supervisão e auxílio durante exercício.

 

Um planejamento nutricional cuidadoso e uso de suplementos nutricionais específicos para o hepatopata auxiliam o paciente no ganho de massa muscular e de aptidão física e autonomia.

 

O exercício para pacientes cirróticos, assim como em qualquer doença crônica, deve começar leve, evoluir devagar e respeitar os limites e sintomas físicos do paciente. Mas bem indicado e supervisionado o exercício é benéfico com impactos na sobrevida e sobretudo na qualidade de vida dos pacientes cirróticos.

 

Ref.  Exercise in cirrhosis – Tandon P, McNeely M. et al – J Hepatol. 2018 Nov;69(5):1164-1177