COVID-19 e amamentação

 

A amamentação é um dos períodos mais difíceis da maternidade.

Há muitas cobranças, muitas mães sofrem muito com tanta pressão nesse momento.

E estamos vivendo a COVID-19 e todos os riscos e medos associadas à doença, e aí, fica ainda mais pesado…

Saber informações confiáveis ajuda muito, mas precisamos respeitar nossos limites e lembrar que às vezes não dá para fazer aquilo que gostaríamos.

Pedir ajuda é essencial.

Olhar para dentro também.

O importante ao escolhermos um caminho é sabermos que ouvimos nosso coração e permitimos que ele nos norteie.

Vai ficar tudo bem!

 

 

Sobre transmissão vertical:

  • Há estudos publicados, embora com número pequeno de recém-nascidos, que sugerem a possibilidade de transmissão vertical (da mãe para o concepto), mas ainda não há informações conclusivas.
  • Não há evidência científica de presença do coronavírus no leite materno; no entanto, dado o pequeno número de casos estudados, essa evidência deve ser interpretada com cautela.
  • Há poucas informações sobre a COVID-19 em recém-nascidos e crianças. A apresentação clínica das crianças com COVID-19 é normalmente leve ou moderada.
  • Estudos sugerem que crianças < 1 ano têm taxas mais altas de complicações que crianças mais velhas.
  • O principal risco de uma puérpera com COVID-19 amamentar é a proximidade com o bebê durante a amamentação, quando poderia haver a infeção do recém-nato através de gotículas e contato físico direto.

 

A OMS, o Ministério da Saúde e Sociedades especializadas em saúde materna e infantil, recomendam que as puérperas com COVID-19, em bom estado geral, mantenham a amamentação, uma vez que, os benefícios da amamentação superam os riscos potenciais de transmissão do vírus.

São recomendados durante o aleitamento materno em mães sintomáticas*:

  • Lavar as mãos por pelo menos 20 segundos antes de tocar no bebê ou antes de extrair o leite materno;
  • Tentar evitar tossir ou espirrar enquanto amamenta;
  • Usar máscara cirúrgica durante a amamentação (que deve ser trocada a cada 4 horas ou quando molhada) (manter máscara sempre que segurar o bebê);
  • Se o recém-nascido estiver no mesmo quarto da mãe, limpar e desinfetar objetos e superfícies tocados.

*Como há comprovação de transmissão do vírus por pessoas assintomáticas, sempre adotar as ações atuais para prevenção da COVID-19: distanciamento social e isolamento domiciliar, higienização frequente das mãos, usar cotovelo para tossir ou espirrar; e manter distância segura.

O aleitamento materno tem grandes benefícios:

    Para a mãe:

  • Diminuição da hemorragia pós-parto;
  • Melhora da remineralização óssea materna (com redução de fraturas do colo de fêmur no período pós-menopausa) e diminuição do risco de câncer de ovário e de mama.
  • Possibilita o Método de Amenorréia Lactacional pelo aleitamento exclusivo (prevenindo anemia e o aparecimento precoce da ovulação).
  • Melhora vínculo mãe-bebê.

   Para o bebê:

  • Redução da incidência e da gravidade de diarreias, e de outras infecções.
  • Efeito protetor sobre várias doenças na vida (como diabetes mellitus, doença de Crohn, colite ulcerativa, linfomas, doenças alérgicas, síndrome de morte súbita do lactente).
  • Promove vantagens psicoafetivas para o bebê.

 

Os riscos e benefícios da manutenção do aleitamento materno e da separação temporária entre o bebê e a mãe devem ser discutidos com a mãe e seu(sua) companheiro(a) pela equipe de profissionais de saúde.

Se for optado pelo aleitamento materno e o bebê ficar no mesmo quarto da sua mãe durante a internação (devido ao desejo da genitora ou por limitações do local), devem ser consideradas a implementação de barreiras físicas e manter o recém-nascido a uma distância de pelo menos 1 metro da mãe com COVID-19 (além de todas as outras recomendações relacionadas à prevenção da COVID-19).

No caso de se optar pela extração do leite ou pelo uso de fórmula láctea, considerar a possibilidade de solicitar a ajuda de alguém que esteja saudável para oferecer o leite em copinho, xícara ou colher ao bebê (é necessário que a pessoa que irá oferecer ao bebê aprenda a fazer isso com a ajuda de um profissional de saúde).

Durante a internação hospitalar, cada gestante pode ter um único e mesmo acompanhante (sem sintoma gripal) durante toda a internação (que deve usar máscara cirúrgica durante a internação e não circular pelo hospital).

Visitas NÃO devem ser permitidas (nem no hospital e nem após o retorno para casa).

O contato pele a pele NÃO deve ser estimulado e realizado pela mãe sintomática.

Em caso de mães afastadas de recém-natos (por internação do bebê em unidade neonatal e/ou pelo isolamento da mãe), são ações importantes para a manutenção da lactação (produção do leite):

  • Massagear e extrair o leite em intervalos máximos de 4 horas.
  • O leite deve ser extraído entre 6 a 8 vezes ao dia.
  • Um profissional do banco de leite deve orientar a puérpera nesse aprendizado.

 

Mães sintomáticas ou contactantes não poderão ser encaminhadas ao Banco de Leite Humano até que se tornem assintomáticas e tenham passado o período de transmissibilidade da COVID-19 (cerca de 14 dias).

 

  • A NOTA TÉCNICA No 10 do Ministério da Saúde sobre “Atenção à saúde do recém-nascido no contexto da infecção pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2)”, aponta no item sobre ORIENTAÇÕES PARA UNIDADE NEONATAL (UTIN, UCINCo, UCINCa) que mães sintomáticas ou contactantes NÃO poderão ser encaminhadas à unidade de internação do recém-nascido até que se tornem assintomáticas e tenham passado o período de transmissibilidade da COVID-19 (cerca de 14 dias). Poderão permanecer na nestas unidades somente mães assintomáticas e não contactantes.

Lembre-se, por mais difícil que seja essa separação, ela é para a segurança do bebê (inclusive de todos os outros que se encontram na mesma unidade).

 

Referências:

  1. NOTA TÉCNICA Nº 10/2020-COCAM/CGCIVI/DAPES/SAPS/MS. Assunto: Atenção à saúde do recém-nascido no contexto da infecção pelo novo coronavírus, 27 de março de 2020.
  2. NOTA TÉCNICA Nº 12/2020-COSMU/CGCIVI/DAPES/SAPS/MS. Assunto: Infecção COVID-19 e os riscos às mulheres no ciclo gravídico-puerperal. 18/04/2020.
  3. Alzamora et al. Severe COVID-19 during Pregnancy and Possible Vertical Transmission. Am J Perinatol. 18.04.2020.
  4. RECOMENDAÇÃO TÉCNICA No.03/20.160420. ASSUNTO: Recomendações para Acolhimento e Manejo Clínico em aleitamento materno de gestantes, puérperas e lactantes assintomáticas ou sintomáticas de COVID-19 pelo Banco de Leite Humano, 16/04/2020.
  5. O Aleitamento Materno nos Tempos de COVID-19! Nota de alerta Sociedade Brasileira de Pediatria, 09/03/2020.
  6. COVID-19 – guidance for paediatric services . Royal College of Peadiatrics and Child Health, 09 abril 2020.
  7. Coronavirus (COVID-19) Infection in Pregnancy. Royal College of Obstetricians & Gynaecologists, 09 abril 2020.
  8. Boletim Epidemiológico 08 – COE Coronavírus – 06 de abril de 2020. Secretaria de Vigilância em Saúde, Ministério da Saúde, 09/04/2020.
  9. Orientações COVID-19. Boletim SGORJ, abril 2020.
  10. CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. CDC.2019ncov/hcp/inpatient-obstetric-healthcareguidance.
  11. Neonatal Early-Onset Infection With SARS-CoV-2 in 33 Neonates Born to Mothers With COVID-19 in Wuhan, China. JAMA, Pediatrics Published online March 26, 2020.
  12. Possible Vertical Transmission of SARS-CoV-2 From an Infected Mother to Her Newborn. JAMA, Published online March 26, 2020.